Empreendedores – um novo vínculo com o trabalho

De um tempo para cá, acompanhando pesquisas sobre carreira, percebo um aumento significativo de jovens que querem empreender. Várias análises já foram realizadas e como é normal ao entendimento de uma questão conseguimos identificar vários motivos para esse crescimento.
Fazendo um retrospecto histórico com as gerações podemos dar mais consistência a essa análise. Na geração dos tradicionais (1920 até 1944) os valores relacionados ao trabalho estavam ligados à lealdade, a organização e ao esforço árduo. Com a geração Baby Boomers (1945 até 1964) os valores sofreram transformações. Afinal era um período pós guerra em que o mundo estava se reconstruindo. Os valores eram a busca pelo sucesso e a lealdade a sua carreira.
Para a geração X (1965 até 1979) o mais importante foi equilibrar a vida profissional e a vida pessoal depois de verem o que sua geração antecessora havia sacrificado. Sua lealdade está ligada aos relacionamentos. E com essa geração vieram os primeiros indícios de empreendedorismo. Queriam mais autonomia e o vínculo de pertencimento a uma organização tão importante para os boomers passava a ser secundário.
Na sequência vem a tão falada geração Y (1980 até 2000). Acostumadíssimos a mudanças não só tecnológicas, mas também de comportamentos, eles nasceram digitais. Tem a sensação de que tudo é temporário, instantâneo e veloz. Seu valor com trabalho está ligado ao desenvolvimento pessoal e prezam muito a autonomia.
Temos, então, um panorama evolutivo da relação e o valor representado pelo trabalho dos últimos 100 anos. Da lealdade à organização ao desenvolvimento pessoal, os vínculos foram se transformando.
O que tem surpreendido é que o número de empreendedores cresceu muito na geração Y. Por que? Algumas hipóteses:
- Os jovens dessa geração priorizam o que é mais importante para si.
- Acreditam que consigam fazer algo melhor e mais rápido do que se estivessem em uma grande empresa, já que tem mais autonomia.
- Não ficam “reféns” da política de desenvolvimento das organizações que mais do que a criatividade empreendedora, favorece aqueles que estão ligados ao poder.
Enfim, podemos elencar outras possibilidades. A questão é que ao pensar em empreender, o jovem não enxerga essa chance dentro de uma empresa aproveitando sua estrutura e seu conhecimento. Prefere o desafio de empreender na solidão da autonomia sem vínculos identificadores e sem limites para seus sonhos.
É uma nova relação com o trabalho.
By: Cláudia Fraga