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Carreira é uma construção

E o autoconhecimento é a base dela.

Em minha prática como orientadora de carreira tenho recebido clientes muito confusos a respeito qual caminho seguir. O que eles têm em comum? A crença que ao optarem por um curso de formação na hora do vestibular, passarão anos na universidade e entrarão no mercado de trabalho sem precisar se questionar se o caminho é esse ou não como fizeram na época do vestibular.

A escolha do curso é extremamente penosa para alguns e a possibilidade de voltar a viver a indecisão traz muita ansiedade. Além disso, como já tem alguma experiência profissional se pressionam para acharem um caminho rumo a uma consolidação na carreira.

Quase sempre ao iniciar o processo de orientação percebo hesitação ao falar dos seus desejos para a carreira. Muitos dos desejos ficaram sem sentido no presente, em seu lugar não conseguiram colocar novos objetivos. Então, o que aparece é um profundo sentimento de insatisfação e uma sensação de estar perdido nas suas escolhas futuras.

Vale ressaltar que estou falando de jovens que tiveram acesso a uma educação de qualidade e que tem plenas condições para enfrentar o mercado de trabalho exigente que temos hoje. Ou seja, esses jovens estão preparados para as exigências requeridas objetivamente. Vários são “torturados” pelo seguinte pensamento: passei anos estudando para me formar em um curso, trabalhei na minha área, mas não me sinto satisfeito com o meu trabalho.

Claro, que existem muitos questionamentos a serem feitos. O lugar onde estão atuando pode não estar agradando, a natureza da atividade pode não estar desafiando intelectualmente, a equipe apresenta dificuldade em se relacionar ou o “chefe” não é exatamente um sujeito inspirador. A questão é que não se sentem satisfeitos e, grande parte não consegue identificar o que os incomoda. Relatam a sensação incômoda, a falta de motivação e a pouca vontade de continuar, mas não enxergam o que fazer.

Ao serem questionados sobre suas escolhas não só do vestibular, mas também do curso de línguas, intercâmbio, esportes ou mesmo de lazer não sabem dizer muito bem porque fizeram essas opções. As razões parecem muito objetivas: era importante a preparação para o mundo do trabalho.

E o que dizer dos nossos interesses, prazeres e curiosidades? Realmente paramos para pensar neles e perceber o que nos deixa satisfeitos. O que imaginamos fazer e nos deixa com a sensação de felicidade? Que ambientes gostamos mais de estar? O que esperamos como retornos do nosso trabalho? Quais atividades gostamos de fazer?

Observar a nós mesmos nos ajuda a descobrir alguns aspectos de nossas preferências que precisam ser respeitadas e desenvolvidas. Não escolhemos uma carreira porque ela é promissora, porque parece a profissão necessária para o mundo do futuro, porque a família já tem uma tradição na área e precisamos dar continuidade.

Escolhemos uma carreira porque temos interesse nas atividades relacionadas com ela. E construímos essa carreira respeitando e entendendo nossos desejos (a qualquer tempo). Quanto mais soubermos desses desejos, mais consistente será nossa construção.

By: Cláudia Fraga

Cláudia Fraga

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